Variações

Nota 9 (de 1 a 10)

Finalmente, depois de adiar e de tentar e de remarcar, fui ver o filme e valeu a pena.

Mais que uma biografia é um filme de amor. Do António pela sua obra, e do Fernando pelo António, relações que parecem retroalimentar-se. Os atores que vestem a pele de casal enamorado, estão excelentes. Não consigo escolher entre a postura, voz e caracterização do Sérgio Praia ou a expressão de apaixonado do Filipe Duarte, os dois estão muitíssimo bem.

Quanto à vida do António, sentimos que seriam necessários mais anos e que o mundo se ajustasse muito a ele. Quando se abre o caminho é assim, ganha-se muito e fica outro tanto ou mais que poderia ter sido, arrisco a dizer que deveria ter sido, mas não houve como. O filme explora parte disso, daí que não o considere uma biografia, faltam muitos momentos-chave. A vida é mais rica do que o cinema.

Fiquei com vontade de poder ter o António novamente vivo e de saúde neste Portugal do Século XXI com o casamento homossexual, o respeito (da maioria) pela diversidade de género e a valorização da criatividade. Gostava que soubesse que Lisboa se adaptou a ele, só que foi tarde de mais.

Foi interessante que o filme tocasse no assunto da guerra colonial. Esse monstro de mil facetas que condicionou de forma tão diversa gerações, e que condicionou o António também.

Vão ver!